Gamers: 99 vidas para um profissional de sucesso

Eu sei que você muito provavelmente se assusta quando percebe indícios de que o mundo está sendo dominado pelos NERDs. E muito provavelmente você nem imaginava que os Gamers tinham um dia internacional só deles, não é mesmo? Sim, é hoje (ao menos para você que está lendo este artigo na data da publicação de 29/08/2023 ou o encontrou em outro ano fazendo buscas pelo tema). Acredito também, que você já tenha ouvido falar que o tamanho da indústria de gamers já superou a indústria cinematográfica há alguns anos, embora duvide ou ainda tenha lá suas dúvidas.

Um gamer não escolhe ter apenas uma única vida

Jogar videogame é uma forma interativa de entretenimento que em alguns casos oferece conduções narrativas tão profundas que envolvem o jogador em níveis profundos de imersão que o faz sentir parte da história vivenciada no game, o faz aprender conceitos, histórias e uma séria de disciplinas por viver experiências emocionantes sob cada enredo.

Por isso sempre digo aos meus alunos; “Joguem mais vídeogame! Vocês têm muito o que aprender com eles. Não percam esta oportunidade.

E um dos conceitos mais interessantes que ilustram esta experiência fantástica dos games está justamente no fato de que ao se tornar “gamer” um indivíduo não precisa se limitar a uma única atividade. É possível assumir inúmeros papéis diferentes e se divertir por meio de variados universos lúdicos. E antes de avançar no tema, preciso revelar aos que ainda não me conhecem de perto. Sim, eu também sou um gamer. E se você também quer se revelar para o mundo, anote esta frase de impacto:

Eu sou um gamer! Não porque não possuo uma vida. Mas sim porque eu escolhi vier muitas!”

Em outras palavras, o primeiro aprendizado sobre multicarreiras, assim como a primeira experimentação de assumir diferentes funções e atuar em variados papéis muitas vezes surge no prazeroso jogo despretensioso. E a partir daí, muitos despertam para uma prática profissional diferenciada. Pois aprendem a questionar os modelos e a si mesmos se realmente precisam ficar presos a um único personagem a vida toda.

Convenhamos, todos nós assumimos diferentes papéis sociais diariamente, seja como filho, como pai, como esposa, como colaborador de uma grande empresa, empreendedor de um pequeno negócio, investidor cauteloso daquele pé de meia, aluno, mentor, esportista e por aí vai. Até gamers nos permitimos ser por algumas poucas horas por semana, não é mesmo?

Sim, você também. Se continua por aqui, já estabelecemos uma intimidade suficiente para você assumir que passa horas naquele seu joguinho de celular. Admita, vai. Você faz parte dos 74,5% dos brasileiros que são adeptos aos jogos eletrônicos. Somos uma grande irmandade. Você não está sozinho! E talvez hoje não seja tão mal julgado quanto seria no passado ao dizer publicamente que tem como um de seus hobbies, jogar videogame.

E questionamentos e libertações de velhas crenças limitantes como estas são uma prático muito saudável para a evolução de nossa personalidade, de nossos comportamentos, de nossas habilidades cognitivas e até mesmo para a nossa criatividade.

Quem já foi meu aluno ou já me ouviu falar sobre criatividade e inovação sabe o quanto defendo o consumo regular e a imersão em universos lúdicos e fantasiosos. Não importa a mídia, pode ser livro, assistir um filme no cinema, se “enfurnar” no videogame ou mesmo bater um papo com os amigos sobre aquele universo de fantasia.

Seja filme, seriado, livro ou jogos de Star Wars, Senhor dos Anéis, Harry Pother ou qualquer outra obra que proporcione esta imersão de fantasia, isso é muito benéfico para a criatividade. Principalmente no mundo dos games, devido ao nível mais profundo de imersão e interatividade que a plataforma proporciona.

O papel da suspensão da descrença como sandbox de aprendizado

A suspensão da descrença é um conceito que trago lá da literatura para explicar como um leitor aceita como verdade determinadas circunstâncias ou como se desprende de alguns conhecimentos e regras para que possa mergulhar mais fundo dentro de uma história e poder viver de forma mais envolvente a experiência proporcionada pelo enredo da história.

A maioria de nós sabe que onda sonoras precisam de matéria como base para poderem se espalhar. Ou seja, no vazio do espaço, não há estrondosos sons de explosões e tiros de raio laser. Assim como, até onde sabemos, bruxas são figuras folclóricas e gravetos não soltam raios nem bolas de fogo. Nossa compreensão tridimensional no universo nos impede de imaginar que possa haver e caber todo um universo dentro de um simples e velho guarda-roupas. Ao menos a maior parte da população não navega com profundidade nos estudos de mecânica quântica e não saberia nem dizer ou representar em um desenho o que seria um a tesara.

Ou seja, se apegar a tudo isso deixaria histórias como a de Star Wars e Harry Potter muito chatas e infantis. Mas quando nos permitimos nos libertar destas amarras e aceitamos que ao abrir a porta de um guarda-roupas podemos conhecer Aslam e viver fabulosas aventuras no mundo de Nárnia.

E acredite você ou não, esta prática é um exercício anabolizante para a nossa criatividade. Pois nos permite praticar constantemente o redirecionamento de foco do que nos impede ou dificulta alguma coisa e nos faz aprender a olhar para o que pode ser uma solução alternativa, por mais absurda que possa parecer no primeiro momento.

Mais uma frase de efeito, anote aí;

É jogando videogame e utilizando a suspensão da descrença que exercitamos a nossa criatividade para pensarmos fora da famigerada caixa para criarmos soluções inéditas e inovadoras de valor com maior agilidade e com menor esforço.

Alexandre Conte

Os games geram impacto positivo para a formação profissional

Apesar de muitas notícias negativas e sensacionalistas que ainda vemos nas mídias tradicionais, os benefícios dos games são reais e estudiosos trabalham arduamente para mudar esta imagem. Porém, o que tem ajudado bastante também, é justamente as proporções que este mercado vem conquistando. Nos últimos anos os games evoluíram de meros passatempos de uma geração baderneira comedora de pizza para uma plataforma popular de entretenimento e uma poderosa ferramenta de desenvolvimento pessoal e profissional.

Level Up no Jogo e Upgrade na Carreira

Se um indivíduo possui dificuldade de realizar várias tarefas ao mesmo tempo, ignorar as distrações do dia a dia e priorizar sua lista de afazeres, pasme; os videogames podem ser um grande aliado neste tratamento condicionado. Pesquisas recentes sugerem que certos jogos podem tornar sua mente mais preparada para estes contextos, podem reforçar sua memória de trabalho, melhorar seu foco, suas habilidades espaciais e até mesmo apurar sua visão e percepção. Ou seja, talvez a prática não seja tão “perda de tempo” como muitos imaginavam.

Desenvolvimento Cognitivo: a prática de videogames exige a utilização de uma variedade de habilidades cognitivas, incluindo resolução de problemas, tomada de decisões rápidas, pensamento estratégico e coordenação motora. Jogos de quebra-cabeça, estratégia e simulação, por exemplo, estimulam a mente a abordar desafios complexos, favorecendo o raciocínio lógico e a criatividade. Essas habilidades cognitivas podem ser transferidas para situações da vida real, como enfrentar problemas no ambiente de trabalho ou encontrar soluções inovadoras para questões complexas.

Comportamentos e Valores Reforçados: os videogames frequentemente promovem a resiliência e a competitividade de maneira inerente. A natureza dos jogos, onde os jogadores muitas vezes enfrentam obstáculos difíceis e fracassos temporários, ajuda a desenvolver a resiliência ao encorajar a perseverança e a busca contínua por melhorias. Além disso, a competição saudável dentro dos jogos pode refletir no desejo de superar os outros e aprimorar constantemente as próprias habilidades.

Explorando um exemplo mais detalhado de como o foco funciona em jogos de ação

Os jogos de ação, aqueles que envolvem tomar decisões rápidas, navegar em diferentes ambientes e encontrar alvos visuais em ambientes muito detalhados, parecem oferecer os benefícios cognitivos mais significativos.

Jogos de tiro em primeira e terceira pessoa realmente reforçam o quão bem se presta atenção ao que ocorre ao seu redor. Eles também melhoram o quão bem se enxerga ou escuta. Isto é o que chamamos de percepção. E revelam ainda, melhoras acentuadas na cognição espacial e na memória de trabalho e na capacidade multitarefa. Benefícios de grande potencial de aplicação prática nas rotinas do cotidiano.

Ao jogar estes jogos, treinamos nosso cérebro e ativamos áreas no córtex frontal, outras no córtex parietal e uma séria de ligações neurais que são atribuídas pelos neurocientistas como responsáveis pela “atenção descendente”. Estas áreas ficam com ligações mais reforçadas e muito mais eficientes no processamento de processar informações. Não à toa, que em estudos longitudinais é possível observar o aumento de massa cinzenta nestas áreas e nas áreas associadas ao raciocínio abstrato e à resolução de problemas, em jogadores que praticam esta modalidade por tempo prolongado.

A visão também se torna mais apurada. Estudos recentes revelam que jogar 50 horas de games de ação por nove semanas, o equivalente a um pouco menos de 1 hora por dia, melhora a sensibilidade ao contraste. O que faz com que jogadores de ação sejam mais capazes de distinguir entre diferentes tons de cinza. Ok, isso parece inútil para quem não é fã de Cristian Grey, não é mesmo? Mas pode fazer uma diferença absurda entre se envolver em um acidente ou não, quando se está dirigindo à noite, na chuva e em situações de baixa visibilidade.

Competitividade como Motor do Sucesso

Essas características desenvolvidas nos jogos podem ser extremamente vantajosas no mundo profissional. A resiliência cultivada ao enfrentar desafios no universo dos jogos se traduz em uma abordagem mais otimista e determinada perante adversidades no ambiente de trabalho. A capacidade de lidar com pressões e manter o foco em objetivos mesmo diante de falhas é uma marca registrada tanto dos gamers quanto dos profissionais bem-sucedidos.

A competitividade intrínseca aos jogos não é apenas saudável, mas também incentiva a busca incessante pela excelência. Jogadores muitas vezes se esforçam para superar seus próprios recordes ou alcançar posições mais altas nos rankings, demonstrando uma mentalidade voltada para o crescimento. Essa busca por se destacar é transferível para a carreira, onde profissionais que buscam aprimorar suas habilidades e conquistar reconhecimento estão mais propensos a progredir rapidamente, seja para bater metas, derrotar a concorrência, conquistar o bônus, a promoção e/ou o reconhecimento do restante do time.

Saber que dentro do universo lúdico e seguro dos jogos, podemos perder vidas e mesmo assim continuar de onde paramos, temos nossas percepções e comportamentos recondicionados e naturalmente, os gamers se tornam mais audaciosos, mais arrojados. E isto não significa que se tornam irresponsáveis ou inconsequentes. Pois nenhum gamer gosta de perder uma vida, pontos, tesouros ou qualquer outra régua de pontuação. Mas os jogos provocam ações onde precisam ser protagonistas e isto pode ajudar que indivíduos mais tímidos percebam similaridade entre os ambientes e atue com maior proatividade na resolução de problemas que identifica ter maior facilidade de resolução.

Os videogames também causaram impactos diferentes em cada geração de acordo com os jogos de sucesso mais jogados por seus representantes, você sabia?

Recomendo ouvir o episódio 356 do podcast do Varejocast no qual o Caio Camargo ilustra muito bem alguns exemplos disso. Clique aqui para ouvir no Spotify. E você que é gamer vai se identificar com estes exemplos de influência que ele ilustra em seu belo artigo no Linkedin:

Como os videogames podem ter ajudado a moldar as gerações.

Nem vou entrar no mérito com maior profundidade. Mas é nítido de que práticas de jogos com maior similaridade de ambientes vivenciados nas suas profissões podem auxiliar ainda mais no desenvolvimento de habilidades valiosas.

Exemplos rápidos: Um motorista de taxi ou de caminhão pode se tornar um motorista mais atento e com maior domínio de seu veículo na cidade e na estrada por passar mais horas em contato com as habilidades de sua atividade profissional do que passaria apenas trabalhando. Além de poder se divertir, é lógico. Já pensou em um jogador de futebol ou de basquete que pode ampliar sua visão de jogo e enxergar o campo como um grande tabuleiro de peças ao jogar videogames de suas modalidades esportivas? No mínimo, ele entenderá mais facilmente o que seu treinador tanto lhe oriente e com o tempo compartilharão das mesmas visões.

Ou um vendedor ainda, pode exercitar suas técnicas de negociação em jogos de diálogos com múltiplas respostas e consequências de interações variadas conforme o desfecho de cada interação com os personagens. Tudo isso dentro de universos lúdicos e muito divertidos.

Não é por acaso que militares utilizam jogos de tiro em primeira pessoa e jogos de aviação de caça como simulações em seus exercícios de treinamento, assim como pilotos de aviação comercial e pilotos de corrida. Se os melhores em suas posições estão praticando, pergunte-se por que não experimentar?

99 vidas para uma multicarreira de sucesso

Você já deve ter concordado comigo a essa altura de que as habilidades de resiliência e competitividade adquiridas por meio da prática dos jogos eletrônicos, os queridinhos videogames, podem ser essenciais para o sucesso em qualquer carreira profissional. Assim como a adoção de uma abordagem equilibrada para jogos pode moldar indivíduos mais capazes de enfrentar desafios, prosperar na competitividade e trilhar caminhos de sucesso em suas trajetórias profissionais, independente de suas áreas de atuação.

Mas gostaria de fechar a “quest” que abri lá no comecinho deste artigo. Se experimentamos e aprendemos a gostar de atuar em diferentes funções e reconhecemos que também assumimos diferentes papeis na vida real, assim como nos games, por que não profissionalizar esta prática e desenvolver múltiplas carreiras ao longo de nossas vidas?

Se aprendemos com a suspensão de descrença que podemos criar soluções alternativas e inovadoras ao nos prendermos das amarras e regras tradicionais, talvez, deixar de lado a cresça limitante que nos rodeia e nos condiciona a pensar que só podemos ter uma única profissão e atuar nela a vida toda, possa se parecer muito como uma aventura extraordinária pronta para ser vivida.

E se você tiver mais fichas no bolso e estiver disposto(a) a aprender muita coisa nova. Então, eu tenho um caminho para você.

Estou na fase de pré-lançamento de um livro coletivo, escrito por mim junto com uma seleção de amigos e profissionais feras de diferentes áreas de mercado sobre como empregar a ambidestria da gestão na liderança de equipes, no comando de negócios e também na gestão de carreiras. E adivinhem só qual será o meu capítulo nesta obra?

Sim, lá escrevo e conduzo uma aventura guiada de como construir uma prática de multicarreiras, seus benefícios e exigências, além de ilustrar o passo a passo de como se tornar um profissional Slash. E claro, depois de ler o capítulo vai entender o porquê eu uso um “//” ao final do meu nome de perfil no Linkedin.

Continue me seguindo para acompanhar as novidades do projeto deste livro que vai me dar um “Level Up” para uma nova profissão. Afinal, sou gamer, mas também sou gestor de marketing, professor universitário, palestrante, podcaster e em breve escritor. E tudo isso, porque um dia acreditei que poderia trazer para o mundo real as experiências vividas no mundo dos games.

…e se prepare. O metaverso vem aí. E quem você acredita que está apto, íntimo e “jogando um bolão” neste contexto? Seu chefe que detesta joguinhos e não entende a razão de você passar horas do seu dia vivendo diferentes papeis, para salvar o mundo, vencer uma corrida, ganhar campeonatos e muito mais, que não vai ser, vai?

Mas cuidado para não cair na mesma soberba que ele. Afinal, no Brasil, os jovens de 16 à 24 anos representam apenas 17,7% da população gamer brasileira. Tem gente com mais idade que você que talvez seja mais ativo neste mundo e mais preparado para o metaverso que você. Então corre e aproveite o seu estado play.