Demanda, Oferta e Equilíbrio de Mercado

No quinto capítulo de seu livro Fundamentos de Economia, cuja terceira edição publicada em 2008, Marco Antônio Sandoval Vascocellos conceitua demanda e oferta e descreve a relação de ambas na composição do equilíbrio de mercado, visando a compreensão dos leitores da dinâmica interatividade de preços, quantidades de produtos ofertados, demanda e percepção de valor que formam a famosa relação de Oferta e Procura.

O autor destaca a importância da utilidade, que em seu conceito representa o grau de satisfação atribuído pelos consumidores a bens e serviços disponíveis no mercado. Descreve-nos ainda que esta utilidade possui seu valor atribuído à duas teorias, sendo elas; a primeira a Teoria do Valor-Utilidade que pressupõem que o valor de um bem se forma  por meio de sua demanda, ou seja, pela satisfação capaz de representar ao consumidor. Já a segunda é a Teoria do Valor-Trabalho que por sua vez considera que o valor de um bem é formado pelo lado da oferta, por meio do custo do trabalho incorporados na produção de determinado bem. Sendo assim, Vasconcellos correlaciona as duas teorias, de modo complementar com que possam satisfazer anseios por lado dos produtores como dos consumidores.

Evidencio aqui alguns conceitos da economia sobre a utilidade. Onde temos a Utilidade Total que tende a aumentar quanto maior for a quantidade consumida de um bem ou serviço. E por outro lado temos a Utilidade Marginal, que é a satisfação adicional obtida pelo consumidor de mais uma unidade do bem, é decrescente, porque o consumidor vai perdendo a capacidade de percepção da utilidade proporcionada por mais uma unidade do bem, chegando à saturação.

 EQUILIBRIO

Demanda

Demanda é a quantidade de certo bem ou serviço que os consumidores desejam adquirir em determinado período de tempo (VASCONCELLOS, 2008). E esta procura, ou demanda, irá depender de variáveis que influenciam a escolha do consumidor, tais como; o preço do bem ou serviço, o preço dos outros bens e serviços, a renda do próprio consumidor e ainda o gosto ou preferência do indivíduo. Considerando por exemplo a relação da demanda com o preço, encontraremos a chamada Lei Geral da Demanda como uma relação inversamente proporcional entre a quantidade procurada e o preço do bem ou serviço. Ou seja, quanto mais elevado o preço menos dispostos estaremos a pagar o novo preço pelo mesmo bem ou serviço. Embora reconhecendo que as outras variáveis possam influenciar nesta relação, a tendência continua sendo a mesma. Caracterizando assim este conceito como uma lei que posiciona a curva de procura, em um gráfico de oferta e procura, inclinada de cima para baixo no sentido da esquerda para a direita, refletindo o fato que a quantidade procurada de determinado produto varia inversamente com relação ao preço. E isto se dá reforçado por dois efeitos, o efeito de substituição e o efeito de renda. Pois se o preço de um bem aumenta, a queda da quantidade demandada será provocada por esses dois efeitos somados.

 

demanda e oferta

Oferta

Em contra partida, temos a Oferta. Que se apresenta como as várias quantidades que os produtores desejam oferecer ao mercado em determinado período de tempo (VASCONCELLOS, 2008). Assim como da mesma maneira que a demanda, a oferta depende de vários fatores; dentre eles, de seu próprio preço, do preço (custo) dos fatores de produção e das metas ou objetivos dos empresários. Diferente da função demanda, a função oferta mostra uma correlação direta entre quantidade ofertada e nível de preços. Esta é a chamada Lei Geral da Oferta.

A relação direta entre a quantidade ofertada de um bem ou serviço e o preço deste deve-se ao fato de que um aumento do preço de mercado estimula as empresas a elevar a produção, seja visando maiores lucros e/ou entrada de novos produtores. Além do preço, a oferta de um bem ou serviço é também afetada pelos custos dos fatores de produção, por mudanças tecnológicas e também pelo aumento do número de concorrentes neste mercado.

A representação gráfica da escala de oferta é representada por uma reta crescente no sentido da esquerda para a direita. O que prega que do ponto de vista das empresas produtoras, a intenção é de produção infinita, porém têm sua limitação determinada pela disposição da oferta que reduz ou aumenta a viabilidade de comercialização de produtos, conforme a precificação deste bem ou serviço.

Deste modo, espero poder contribuir na compreensão de como a relação de oferta e demanda tende ao ponto de equilíbrio de mercado. Que nada mais é do como a interação destas curvas de demanda e de oferta determina o preço e a quantidade de equilíbrio de um bem ou serviço em dado mercado. Nesta interação entre as curvas de oferta e demanda, elas se encontram em um ponto de intersecção onde teremos o determinado ponto de equilíbrio de mercado, definindo o preço e a quantidade que atendem às aspirações dos produtores e expectativas dos consumidores, simultaneamente.

É possível então observar que ao existir uma competição, seja de consumidores como de ofertantes, há também uma tendência natural neste mercado para se chegar a uma situação de equilíbrio estacionário.

Vale ainda ressaltar o conceito de elasticidade, concluindo que cada produto tem uma sensibilidade específica com relação às variações dos preços e da renda dos consumidores. E é este conceito de elasticidade que permite a mensuração desta sensibilidade. De modo genérico, a elasticidade é capaz de refletir o grau de reação de uma variável quando ocorrem alterações em outra variável.

Este conceito representa uma informação muito útil, tanto para fins gerenciais das empresas como para a administração pública. Pois na empresa a previsão de vendas é de extrema importância, por permitir uma estimativa da reação dos consumidores diante de alterações de preço, dos preços de concorrentes e de seus salários. Já para o governo, a elasticidade possui a mesma importância proporcional em um planejamento macroeconômico, pois possibilita rever entre outras coisas qual seria o impacto de uma desvalorização cambial sobre o saldo da balança comercial ou qual a sensibilidade dos investimentos provados diante de alterações tributárias ou taxas de juros.

E diante deste contraste ilustro ainda a importância do conceito de utilidade marginal através do paradoxo da água e do diamante. Onde certamente um indivíduo que passou 2 dias andando desprovido por um deserto, daria tudo o que estivesse ao seu alcance por um copo d’água para sanar sua sede. Mas quanto valeria para este mesmo indivíduo um quadragésimo quinto como d’água? O inverso ocorre de modo contra-intuitivo com algumas categorias ou produtos em especial. Como é o caso dos diamantes. Devido à outros valores que não de utilidade, o diamante não oferece ao consumidor um decréscimo de interesse por uma nova unidade após uma aquisição. Mas esta é uma relação que irei apresentar aqui em outro artigo que dará continuidade a estes conceitos com um foco mais prático e objetivo para auxiliar em como empregar suas implicações gerenciais no dia-a-dia do seu negócio.

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