4ª Revolução Industrial: A vez da Indústria 4.0

Houve um dia em que a humanidade trocou a força braçal e animal por mecanismos hidráulicos movidos pela energia obtida do vapor gerado pela fervura da água. Por mais simples que isto possa parecer, a máquina a vapor possui um enorme valor tecnológico para a evolução humana. Conhecida como a 1ª Revolução Industrial. Sendo, máquina a vapor o nome dado a qualquer motor que funcione pela transformação de energia térmica em energia mecânica através da expansão do vapor de água. Desenvolvido no século XVIII, sua tecnologia continuou a ser utilizada e aperfeiçoada até o início do século XX. Quando ocorre então a 2ª grande revolução industrial, orientada pela eletricidade e pela produção em massa.

Em meados da década de 40, uma terceira e nova revolução ocorre, impulsionada pela 2ª Guerra Mundial e a aplicação de novas alternativas de fontes de energia, tais como petróleo, energia hidrelétrica, nuclear, eólica e etc., para elevar a capacidade dos processos produtivos. Tudo isso casado com a informatização de sistemas controladores e a robotização de tarefas antes manuais, provendo um nível crescente de automação.

Após a primeira marcar o ritmo da produção manual à mecanizada, entre 1760 e 1830. A segunda, por volta de 1850 e grande ápice nas primeiras décadas do século XX, trouxe a eletricidade e permitiu a manufatura em massa. A terceira iniciou-se no final da primeira metade do século XX, impulsionada com a chegada da eletrônica, da tecnologia da informação e das telecomunicações.

Agora, após estas 3 transformações históricas, surge a quarta revolução, ou como atualmente é chamada; revolução industrial 4.0. ou simplesmente de Indústria 4.0. Uma mudança que traz consigo uma sólida tendência à automatização total das fábricas. Este nome vem de um projeto de estratégia de alta tecnologia do governo da Alemanha, trabalhado desde 2013 para elevar sua produção à uma total independência do trabalho e da intervenção humana. E será marcada pela convergência de tecnologias digitais, físicas e biológicas.

Esta revolução já está transformando significativamente o mundo como o conhecemos em um ritmo tão acelerado e uma escala tão ampla que o que pensamos ser coisa de um futuro distante em um dia, se torna realidade e prática comum nos dias seguintes. Isso ocorre, devido aos benefícios providos por tecnologias como a Internet, pela computação na nuvem, internet das coisas, inteligência artificial, big data, machine learning, nanotecnologia e biotecnologia, entre outras. E este conjunto de tecnologias integradas que combinam máquinas, sensores e processos digitais, tornam capaz a tomada de decisões descentralizadas e automatizadas que a cada passo vão se tornando cada vez mais autônomas e independentes dos seres humanos. O que torna de fato as novas fábricas em fábricas realmente “inteligentes”.

Outro dia conversando com o CEO de uma empresa de manufatura cliente, responsável pela produção de bebidas de uma marca tradicional do Paraná, ouvi a seguinte descrição irônica como ilustração do conceito de automação de da nova planta recentemente inaugurada. ele me disse; “nesta planta nova, totalmente automatizada eu tenho um grande setor onde existe apenas um único colaborador. Mas ele está lá, apenas para alimentar o cachorro. antes que me pergunte o papel do cachorro neste setor da fábrica, já vou logo lhe dizendo. ele está lá para não deixar que ninguém toque em nada. As máquinas fazem tudo o que precisam, sozinhas.

Evidente que esta revolução ocorre e cresce mais aceleradamente nas economias mais avançadas. Porém, como as economias emergentes e subdesenvolvidas, são as que concentram grande parte da capacidade produtiva do planeta. Isto as tornam grandes candidatas a se beneficiarem muito mais com este momento de transformações e reaquecimento industrial com elevação de níveis globais de rendimentos, melhora na qualidade de vida das pessoas e redução da emissão de poluentes.

Evidente que este processo de transformação irá beneficiar à muitos. Alguns mais rapidamente, enquanto à outros após um período mais longo. Mas uma coisa é certa. A diretriz imperativa contemporânea é de desenvolver competências para inovar e adaptar-se com o máximo de velocidade possível. E isto, vale para as grandes corporações, para as pequenas empresas e principalmente para as pessoas, como cidadãos e consumidores.

Escrito por: Alexandre Conte

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