O impacto da COVID-19 no comportamento das diferentes gerações

Diante da grande pandemia que tomou o mundo em 2020, provocada por um vírus da família CoronaVírus, a humanidade passou a conhecer um novo padrão de comportamento. Reclusas, em quarentena, buscando a proteção e segurança em seus lares, as pessoas passaram, cada uma em sua realidade, a assumirem comportamentos e rotinas diferentes. Seja em intensa prática de Home Office ou Home Schooling, seja com mais tempo livre para outras atividades antes incompatíveis com suas agendas, ou ainda buscando puramente informação, conhecimento e entretenimento. Uma fato se tornou realidade. todos nós nos tornamos muito mais digitais e conectados.

Mas isto já se tornou senso comum e até mesmo insumo de muitos debates sobre comportamento, consumo e principalmente por cunhos políticos e econômicos. Mas uma grande pergunta que permeia a todos ao ouvirem, lerem ou mesmo participarem destes debates, em tempos de Transformação Digital e Fake News é;

Mas afinal, o que exatamente as pessoas estão fazendo e como estão se mantendo informados?”

O Global Web Index, uma empresa de pesquisa de mercado com atuação e relevância no mercado desde 2009, realizou um estudo com mais de 4.000 internautas entre 16 e 64 anos nos Estados Unidos e no Reino Unido para mapear como a pandemia da COVID-19 – Doença causada pelo CoronaVirus – tem alterado o consumo de mídia das pessoas.

E a grande descoberta foi os diferentes desdobramentos deste impacto sobre o comportamento de consumo de mídia conforme a idade dos participantes da pesquisa. Embora seja intuitivo pensar que indivíduos mais novos sejam mais adeptos ao uso da tecnologia do que pessoas de maior idade, o grande resultado obtido foi a possibilidade de traçar o consumo de mídia de modo clusterizado, ou seja, segmentado para cada uma das gerações presentes na amostra do estudo. Criando assim, um retrato muito característico de comportamento que representa os os indivíduos, nas pesonas de;

  • Baby Boomers – com idade entre 57 e 64 anos.
  • Geração X – com idade entre 38 e 56 anos.
  • Millennials ou Geração Y- com idade entre 24 e 37 anos.
  • Geração Z – com idade entre 16 e 23 anos

PS: As idades representadas para a segmentação do estudo são referentes ao ano de 2020, momento da realização deste estudo.

Conforme é possível verificar nos infográficos abaixo, é possível identificar o contraste entre as gerações e entender como elas estão se comportando durante esta quarentena na busca por informações e que canais de mídia estão utilizando. Tais como; a forte predominância do consumo de Vídeos Online pela Geração Z, sendo o principal meio de informação, com mais de 50% do consumo declarado. Mídia esta também muito utilizada pela Geração Millennials, com 44%, mas já sendo dividida com TV Online ou por Streaming, Imprensa Online, e TV tradicional. E o consumo predominante da Televisão “tradicional” pela Geração de Baby Boomers, com isolados 42%.

Fonte: Global Web Index, Coronavirus Research Report e publicados no Visualcapitalist.com em abril de 2020.

A pesquisa estudou ainda como os participantes estão se comportando em relação as suas atividades na Internet de um modo geral. Onde é possível identificar que independente da idade ou geração, a grande maioria das pessoas estão utilizando a Internet para se manterem atualizadas sobre a COVID-19 (atividade de maior adesão pela maioria das gerações e também refletida como a maior média entre os diferentes perfis. ficando em segundo lugar apenas para a Geração Z que teve em sua principal atividade escutar música online).

Escutar música e assistir à filmes e shows completam o ranking das 3 maiores atividades online. Confira a lista completa ilustrada na imagem abaixo.

Evidente que ao ser realizada 100% online, pela Internet, o estudo deixa de fora indivíduos que não estejam presentes ou não sejam mais ativos no mundo digital. O que não invalida seus resultados, mas nos faz questionar se alguns dos contrastes encontrado entre as gerações não pode ser ainda maior.

As limitações deste estudo se concentram a inexistência de um levantamento prévio que permita um comparativo longitudinal de antes e durante a quarentena. Mas pode servir de inspiração para estudos futuros que possam retratar o durante a quarentena e o seu depois, para nos ajudar a compreender o quando deste comportamento de fato se manterá como hábito e rotina para as pessoas.

De qualquer forma, este é um levantamento que nos permite questionar e refletir sobre nós mesmos. Pois certamente ao interpretar os infográficos apresentados, você rapidamente se encontrou na classificação etária e se questionou se seu comportamento está ou não alinhado com o perfil da sua geração retratado pelo estudo. Não foi?

Artigo escrito por: Alexandre Conte