Gestão Ambidestra Parte I: como a inovação regeu harmônicos com elementos de contraste e criou o Synphonic Metal?

Neste artigo, vou descrever sobre o potencial estratégico de uma gestão ambidestra. Um conceito de vanguarda na administração que vem sendo aplicado pela gestão de empresas que se encontram mais preparadas para lidar com a latência oportuna da inovação. Porém, farei uma introdução um pouco mais prolongada, navegando pelo universo da música para ilustrar como a inovação é capaz de produzir qualidade e vantagens competitivas, mesmo diante de contradições e elementos contrastantes. Tenho consciência que gêneros musicais, assim como no esporte, religião e política, estimulam debates, julgamentos e paixões inflamadas e passionais. Mas, mesmo a mercê do seu julgamento, compartilho abertamente que sou fã do gênero há mais de duas décadas. E antes de que seu julgamento me condene precipitadamente, alego em minha defesa algo que pode ser considerado um atenuante ou mesmo, um agravante. Possuo minhas preferências clássicas e comportadas dentro do Heavy Metal, pelas quais cultivo aquela paixão rebelde e adolescente, como Iron Maiden, ACDC, Dream Theater, Gun N’ Roses e Metallica.

O Death Metal Melódico

Poucos sabem. Mas, mesmo sem os longos cabelos compridos, fui guitarrista e até tive uma banda ao longo da minha adolescência e juventude. Embora hoje, faça muito mais o estilo careca do Joe Satriani. Porém, como bom nerd, sempre gostei de estudar as influências, origens e ramificações dos gêneros musicais. E no exercício exploratório de ouvir e conhecer coisas novas, além de ter desenvolvido um gosto musical muito eclético, descobri o Death Metal Melódico (ou Melodic Deafh Metal em inglês), também conhecido como Melodeath ou Melodic Metal. Que é um gênero musical derivado diretamente do Death Metal e como o nome já sugere, ele é mais melódico em sua musicalidade que apresenta mais ênfase na melodia e nas técnicas harmônicas. Sendo menos brutal. Mas, oferecendo muito mais solos de guitarras do que o Death Metal. Tipicamente agrega guitarras com baixa afinação muito distorcidas, bateria tocada de maneira agressiva e potente com uso de pedal duplo. Ritmo extremamente rápido e mudanças abruptas de tempo. Algumas bandas empregam ainda o teclado. Instrumento não muito comum neste universo. E uma de suas características marcantes é o uso de um vocal gutural (aquela técnica que produz um som rouco, grave ou profundo) em trechos de algumas músicas, como também acontece com o Death Metal. É seguramente o gênero mais complexo do Heavy Metal, pois além de influências do NWOBHM (New Wave Of British Heavy Metal – ou Nova Onda do Heavy Metal Britânico em português), também, percebe-se a complexidade sonora do Metal Progressivo e do Power Metal.

Synphonic Metal

Construído a partir da estrutura musical do Trash Metal e da primeira onda do Black Metal, o Death Metal surgiu em meados dos anos 1980. Assim como eu, rsrs. Tendo bandas como Venom, Slayer e Celtic Frost como importantes influências. Produziu já no início da década seguinte sua variante melódica e ainda mais complexa que usa e abusa de harmônicos e vocais guturais. Este foi um grande trampolim de inspiração para novas bancas que começaram a surgir no cenário musical a partir de 1996, declinando o que seria reconhecido em 2003 um novo subgênero do Death Metal. O Synphonic Metal (ou Metal sinfônico em português). Um novo gênero que conquistou plateias pelo mundo ao unir todas as características do Melodic Death Metal, influenciado também, pelo Gothic Metal e Folk Metal, acrescido de elementos inusitados para o estilo. Possui elementos sinfônicos, ou seja, elementos que são da música clássica ou emprestam seus elementos para referenciar e lembrar suas características artísticas, como por exemplo, cantos líricos, vocais femininos de ópera que contrastam dos vocais masculinos guturais, instrumentos que incluem violões, arpas e diferentes tipos de teclados, em vez de depender exclusivamente de guitarras elétricas, ritmo poético assimétrico como 5/4 e 7/8, e material temático clássico, além de ter caracteristicamente os Riffs poderosos do Heavy Metal.

Deixo aqui algumas bandas com obras incríveis de Synphonic Metal como referências, para tentar convertê-lo como fã deste subgênero do Death Metal e claro, para ilustrar o produto final de tantos elementos distintos, contrastantes, conflitantes e que em sua complexidade podem ser orquestrados e regidos em harmonia para a composição de uma obra prima digna dos grandes teatros. Minhas preferidas são:

A Gestão Ambidestra

Ambidestria é a capacidade de se ser igualmente habilidoso com ambas as partes do corpo. A ambidestria não se limita apenas a capacidade de escrever com as duas mãos, ou chutar com ambos os pés. A palavra “ambidestro” tem origem no Latim: ambi significa “ambos” e dext significa “certo“. Ou seja, uma capacidade peculiar de imprimir destreza em duas habilidades, como gerir muito bem um negócio tradicional ao mesmo tempo que empreende-se com competência um novo modelo de negócio.

Se tratando de gestores de empresas mais novas ou com culturas mais arrojadas a opção de inovar constantemente pode ser uma realidade presente. Porém, quando olhamos para empresas que se tornaram enrijecidas pelo seu tamanho e pela sua longa história de consistência e tradição, a inovação pode parecer uma grande tentação difícil de adotar. E é justamente neste dilema que reside a ambiguidade da gestão.

A saída para este impasse está em saber ousar com segurança e unificar a gestão de modelos diferentes que podem até chegar a contrastar entre si. Assim como o Melodic Deth Metal se mostrou um gênero mutante com influências de novos e antigos gêneros, não teve dificuldades em inovar nas experimentações de possibilidades. Pois, isto faz parte da cultura do Rock n’ Roll e toda a sua família de gêneros. Já por outro lado a música clássica, repleta de seus tabus, regras rígidas e tradições não é tão permissiva como o Rock sobre novidades, experimentações e novidades. E mesmo sendo extremamente opostos, cultivadores de culturas contraditórias e aparentemente totalmente incompatíveis, foram dois gêneros musicais que regidos em conjunto, deram voz e um alto som ao Synphonic Metal. Um novo gênero musical altamente complexo, que emprega as mais avançadas técnicas musicais e exige uma excelência extrema de seus músicos para que possam alcançar harmônicos, compatibilizar guitarras distorcidas com teclados e canto lírico com vocal gutural.

O mesmo pode ocorrer com empresas tradicionais cujos seus gestores se sentem presos às tradições e ao mesmo tempo tentados pela inovação exploratória. A inovação não precisa ser disruptiva nem transformar radicalmente a consistência de atuação da organização. O estímulo em inovação incremental pode ser a forma mais inteligente de disseminar uma nova cultura pela empresa que estimule e encoraje os colaboradores a sugerirem novas ideias e aplicarem melhorias que contribuam com o aumento de qualidade de seus produtos, maior eficiência de seus processos, redução de custos e até mesmo elevar a competitividade da empresa. Além de também contribuir com a continuidade do negócio, ao oferecer novas capacidades dinâmicas para enfrentar novos desafios e criar novas oportunidades.

Um modelo de gestão ambidestra que tem sido muito empregado é a de estimular moderadamente mudanças e inovações no negócio principal, ao mesmo tempo em que promove investimentos arrojados em startups e novos negócios paralelos que buscam otimizar a operação do negócio principal. Fazendo com que este novos negócios e as arrojadas startups possam servir de suporte e complemento ao negócio da empresa principal de forma harmoniosa. Como os harmônicos alcançados magnificamente nas melodias das músicas de metal sinfônico. Canto lírico e vocal gututal. Negócios tradicionais e startups. Harmônicos e gestão ambidestra.

O Fantasma da Ópera na versão Synphonic Metal de Nightwish.

Nesta primeira parte trouxe uma contextualização no mundo da música para ilustrar o conceito central, coparitlhando um pouco das minhas preferências pessoais e conhecimentos sobre os efeitos e resultados desta curiosa sinergia. No próximo artigo que irá compor a segunda e última parte desta abordagem, vou explorar os modelos de gestão empresariais mais a fundo, trazendo exemplos práticos de empresas que estão mais avançadas neste processo e também de novas combinações de negócios que podem significar grandes avanços e sucessos em um futuro não muito distante.

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Escrito por Alexandre Conte.