2020: um marco histórico no mercado eletrônico brasileiro

2020: um marco histórico no mercado eletrônico brasileiroQue o digital está crescendo ainda mais rápido do que vinha crescendo antes, assim como o varejo físico sofreu duros impactos pela pandemia, no Brasil e no mundo, todos nós já sabemos. Mas a questão é: “O quanto é este impacto? E como está ocorrendo?”

Pois bem, 90% dos brasileiros se dizem mais propensos a realizar a compra Online de produtos essenciais, segundo a terceira rodada do estudo Consumidor e Força de Trabalho realizado pela Salesforce, com mais de 3.500 pessoas em sete países, incluindo o Brasil. O que corrobora com o resultado da 41ª edição da pesquisa Webshoppers realizada pelo Ebit | Nielsen, que destaca a categoria de auto serviços – Aquela com predominância de alimentos, bebidas e produtos de limpeza, comercializados com lojas online de supermercados, hipermercados e similares – como a categoria que mais se destacou em aumento, com 28% entre os dias 17/03 e 27/04 de 2020.

Somente neste período de 17/03 e 27/04 de 2020 foi registrado um aumento de 14,4% no faturamento do e-commerce Brasileiro em comparação ao período de 04/02 à 16/03, também de 2020.

Fonte: Ebit/Nielsen, Webshoppers 41

Mas, o mais impressionante é o crescimento de 48,3% quando comparado ao mesmo período de 2019 (19/03 à 29/04). A variação ano contra ano que voltou a apontar um crescimento de 2 dígitos em 2018 e 2019, após um crescimento mais tímido em 2016 e 2017, registrou 16% no aumento das vendas de 2019, fazendo o faturamento de 53,2 bilhões de 2018, saltar para 51,9 bilhões em 2019.

O e-commerce brasileiro ultrapassou a marca de R$60 bilhões em faturamento, atingindo 148 milhões de pedidos em 2020. Somente os quatro primeiros meses deste ano correspondem a 32% do resultado de todo o ano de 2019.

Este período não contabiliza ainda datas importantes do varejo brasileiro, como o Dia dos Pais, no início de agosto e a Semana Brasil, que acontece entre os dias 3 e 13 de setembro – em 2020 foi o segundo ano de uma campanha varejista promovida pelo governo federal em conjunto com os principais players do mercado (foram mais de 14 mil lojistas adeptos em 2019) que buscam incorporar uma data promocional adicional ao calendário com a tarefa de estimular e impulsionar as vendas do comércio eletrônico em uma espécie de Black Friday brasileira. Em 2019 as vendas online cresceram 41% durante nos dias da campanha em comparação ao mesmo período de 2018, segundo o estudo da Ebit/Nielsen. Para esse ano, a expectativa do governo é de que o evento traga resultados ainda melhores para a economia, servido de marco para a retomada econômica do varejo.

E além disso, é claro, ainda haverá pela frente em novembro a própria Black Friday, já tradicional e de grande sucesso, também no Brasil. E o Natal, que figura como a melhor e mais esperada data do varejo brasileiro. Como referência, em 2019 foi registrado um volume de 14,1 bilhões representando uma variação positiva de 29,9% comparado a 2018 de acordo com o Relatório da Social Miner. Esse valor é referente ao período de 15 de novembro a 24 de dezembro, ou seja, condensa as vendas da Black Friday e do Natal. Ou seja, 2020, apesar de todos os pesares econômicos está se configurando para ser um grande marco para o mercado eletrônico brasileiro. Sendo muito importante monitorar de perto os números e resultados dos períodos subsequentes para que seja possível compreender se os comportamentos e hábitos intensificados pelas necessidades especiais impostas pela pandemia e pelo isolamento social, serão capazes de se sustentar por períodos maiores e confirmar a tendência de alta ou se veremos a impressão de resultados de retração após a grande alta de 2020.

 

Se em 2019 o Brasil registrou um aumento de seu mercado eletrônico com 10.7 milhões de novos consumidores, este movimento ficou muito mais intenso e acelerado no cenário de COVID-19, principalmente para a categoria de autosserviço. Isso tudo em uma configuração de comportamento, que já em novembro de 2019 fez as vendas de Mobile Commerce (ou M-Commerce), ultrapassarem as vendas realizadas via desktop.

Enquanto 72% dos brasileiros dizem que estão comprando menos que o habitual no varejo físico, 47% dos brasileiros dizem estar realizando mais compras no modelo Online do que faziam antes da pandemia da Covid-19.

A dica para os lojistas e novos empreendedores que estão entrando no mundo do e-commerce (foram abertas mais de 135 mil novas lojas virtuais no Brasil apenas entre março e junho deste ano), é estar presente e bem posicionado nos sites de buscas e nas redes sociais, que figuram como as principais fontes de tráfego para as lojas virtuais que originam conversões de vendas.

Mais do que nunca, a importância de investimentos logísticos está em evidência. E não à toa, a transportadora Braspress e o Grupo Vamos, já anunciaram ao longo de julho e agosto deste ano a compra de 235 e 1.350 novos caminhões, respectivamente, para aumentarem suas capacidades de operação para atender as novas demandas, em clara aposta de que o volume atual veio para ficar. Vale ressaltar que o pedido de compra da locadora de caminhões (Grupo Vamos) realizado à Volkswagen é o maior pedido da história da marca no Brasil de uma só vez. Os modelos serão entregues até dezembro deste ano. Assim como os aplicativos de entrega foram a categoria de APPs para o e-commerce que mais cresceram em volume de pedidos no cenário de COVID-19, batendo os aplicativos próprios de supermercados, farmácias e também, os novos aplicativos de lojas próprias que ainda não possuíam APPs. Estão também, os aplicativos de entrega ganhando força e importância nesta cadeia, ao oferecerem maior capilaridade para as entregas, contribuindo em colocar em prática o conceito de Last Mile.

Na logística do transporte de mercadorias, a etapa final Last Mile, ou última milha em português, refere-se ao transporte em que a mercadoria sai do centro de distribuição para o destino final, seja em uma transação B2B ou B2C, é nesta etapa que a mercadoria será entregue ao comprador que adquiriu determinado produto. Esta etapa final, completa a cadeia de 3 etapas. Onde o Firt Mile refere-se normalmente ao transporte intercontinental, geralmente realizado por via marítima ou em casos especiais aéreo. E o Middle Mile, por sua vez, refere-se ao transporte intracontinental e/ou intranacional, geralmente ferroviário, rodoviário ou aéreo. Destinando ao Last Mile a missão de realizar a entrega final da mercadoria e finalizar o processo.

Será preciso às marcas, reforçar os benefícios e vantagens para gerar uma maior e melhor percepção de valor neste mercado que está ainda mais competitivo diante de um consumidor que se tornou ainda mais exigente e experiente com os aprendizados e intensificações de compras ainda maiores ao longo da pandemia. O caminho para as marcas conquistar, encantar e reter clientes está depositada na sua capacidade de se tonar evidente e atrativo no meio digital, na competência de seduzir na qualidade do produto, serviço, entrega e experiência para o consumidor final e na dedicação de estabelecer e sustentar uma relação mais próxima, pertinente e relevante para o seu público, principalmente no pós-venda. Pois tivemos a oportunidade de aprender que o isolamento social propiciou uma maior aproximação digital entre consumidores e marcas. O que pode se apresentar como um novo fator a ser estudado em pesquisas de comportamento do consumidor, mensurando os impactos da comunicação digital na conexão e relacionamento entre consumidores e marcas.

Fontes utilizadas: 41ª Edição da Pesquisa Webshoppers realizada pelo Ebit/Nielsen, o Relatório Social Miner, o Levantamento Consumidor e Força de Trabalho realizado pela Salesforce, REUTERS e Abcomm – Associação Brasileira de Comércio Eletrônico.